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segunda-feira, 8 de julho de 2019

O CRAQUE DA COPA AMÉRICA por François Silvestre

Não foi Messi, não foi Soares e muito menos Neymar. Aliás, não foi um jogador. É o caso inédito de um torneio cujo vencedor não foi um time e sim um técnico. Isso mesmo. Tite foi o craque dessa Copa, recheada de times medíocres e pobres de futebol. Paupérrimos.
Messi nunca foi craque na Argentina. É craque na Europa. Soares idem, no Uruguai. Quanto a Neymar, esse é uma fraude esportiva. Não é craque aqui nem alhures. É ruim dentro e fora de campo.
Tite conseguiu ser campeão com um elenco sofrível, quase ruim. E ainda deu uma lição de caráter à demagogia oficial de um governo inútil que usa e abusa de eventos populares para salvar-se da própria incompetência. O presidente parlapatão e seu juiz de toga negociada foram ao Maracanã confirmar a pequenez da dignidade escassa. Quase indignidade. Tite os ignorou. E não caiu nas ciladas de quem tentou envolvê-lo, seja na presepada do campo ou na entrevista coletiva. “Vamos falar de futebol”. Perfeito!

sábado, 13 de abril de 2019

FRANÇOIS SILVESTRE: O desgaste supremo

Essa forma licenciosa de composição do Supremo Tribunal Federal não apenas desgasta, mas definha a credibilidade do Poder Judiciário. E esse desfibramento acaba atingindo a Magistratura, que nada tem a ver com isso. Mas paga o pato. 

A Magistratura, com a toga legitimada por concurso público, merece respeito e admiração. Urge que se mude a forma de composição do nosso Tribunal Constitucional; seja pela escolha, investidura ou duração do exercício. 

O que não pode é continuar assim. A nobiliarquia da mediocridade.

Mediocridade intelectual, compostura duvidosa e idoneidade questionável. Taí o elenco do atual Supremo a confirmar a tristeza melancólica desse declínio. Nem no “Supremo” da Ditadura a toga foi tão enxovalhada. Havia pelo menos uma liturgia do disfarce. 

E hoje?…

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

FRANÇOIS SILVESTRE: Eles sabem o “povo” que têm

Hoje (01) lendo a Coluna de François Silvestre me deparei com seu texto intitulado "Eles sabem o povo que têm". De uma verdade tão transparente, que resolvi copiar e colar para que todos que acompanham o Barriguda News também pudessem analisar.

"Passadas as eleições, todo mundo detesta políticos e política. Ninguém quer saber de política. Tudo que acontece de ruim é culpa dos políticos.

E os políticos nem aí. Nem precisam mudar de atitude ou comportamento. Por quê? Porque eles sabem o “povo” que têm. Nas primeiras pesquisas ninguém vota em ninguém. 

Aí começa a campanha, com os mesmo candidatos antes detestados. Com o mesmo comportamento de sempre, as mesmas caras e mesmas atitudes. Aí os números vão mudando. 

Quando chega perto das eleições, o mesmo “povo” que detestava a política começa a se descabelar, brigar e esfolar em favor dos seus. 

Ninguém mais acha ninguém ruim, ou melhor, são ruins só os adversários. 

Cada lado com seus santos a combaterem os diabos do lado oposto. 

Até que passe um ano, e aí os políticos voltarão ao estágio de satanás. Para serem canonizados no próximo pleito."

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

GUVERNIM DE FIM DE FEIRA por François Silvestre

O guvernim de fim de feira, o mermim que prometeu um hospital de trauma e o que fez foi fechar o setor de trauma do Walfredo, começou há mais de ano pagando com atraso os salários dos servidores. Descumprindo descaradamente a Constituição. No início, “dava um vale”, feito barracão de fazenda, no dia vinte do mês refente ao salário do mês anterior. E no dia trinta pagava o resto, também do mês anterior. Foi ampliando a empulhação. Agora, o “vale” sai no segundo mês após o atraso; no dia 06 vai dar o “vale” do mês de Setembro. E promete, como sendo um favor, terminar de pagar Setembro com  dois meses de atraso. E cinicamente, todo mês, manda uma notinha cavilosa para a mídia anunciando que “está terminando o pagamento”. Mentira. Quando pagar Setembro, em Dez de Novembro, estará devendo Outubro. Portanto, não poderia mentir, ao informar que “concluirá” o pagamento. Porém, mentir é da natureza robinoquiana, com seus espertos Gepetos.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A ABSTINÊNCIA DO PENSAR ... François Silvestre

Aí está outro mal do nosso tempo: a abstinência do pensar. Ninguém quer perder tempo com a reflexão. 

Individualmente, se você não reflete não faz autocrítica. 

Coletivamente, a não reflexão transforma povo em massa. 

E de massa vira boiada.

domingo, 21 de maio de 2017

SÓ COM PLASIL... por François Silvestre

Ao ler o relato do “empresário” que diz ter comprado a Caern, compra feita na “folha”, como se diz no Sertão, quando alguém compra o resultado do roçado antes da colheita, dá sensação de nojo. 

Como diria Aluísio Lacerda: “Meu Deus”! “Vamos indicar um Secretário de Estado para acompanhar o processo, pois o senhor não é muito confiável”. Diz o “empresário” corruptor ao candidato ao governo. 

“Lá, os senhores terão o que quiserem; mas eu preciso ganhar essa eleição e o meu pai também precisa ganhar essa eleição”. Diz o filho do candidato também candidato. 

Só resta torcer pra que seja tudo ficção. Mas se não for, só dá pra ler tomando Plasil.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Até a crise é de mentira... por François Silvestre

Na caverna de Platão até a crise é de mentira. Basta ver a folia por todos os cantos da furna. 

Cadê os desempregados? na folia. 
Cadê os servidores com salários atrasados? na folia.
Cadê o comércio sem vendas? na folia. 
Cadê o varejo falido? na folia. 
Cadê o poder público dominado por bandidos? na folia. 
Cadê os bandidos? na folia. 
Cadê a depressão da caverna? na folia. 
E a crise se desmancha nos dentes arreganhados das repórteres televisivas. 
Tá todo mundo rindo, feito hiena, que come merda, faz sexo uma vez por ano e vive de dente arreganhado.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Bilhete de Rubinho por François Silvestre

Sobre esquecimento

“Alberi fez 72 anos sábado. O ABC esqueceu. Proporções devidas, seria ignorar Pelé no Santos, Ademir da Guia no Palmeiras, Tostão no Cruzeiro. Maradona na Argentina.

Do meu exílio, mandei meu abraço escrito ao Negão. Bj França”.

domingo, 17 de abril de 2016

SOBRE O IMPEDIMENTO

Declarei aqui minha opinião jurídica. Não é golpe, mas sou contra.

Não pode ser golpe um procedimento previsto em Lei, com a participação de instituições jurídicas e políticas, sem qualquer intervenção ou participação militar.

Não é golpe. Mas sou contra o impedimento. Não vejo nenhuma prova de que Dilma tenha cometido o crime de responsabilidade. Pedalada fiscal, hábito comum no passado recente, não pode ser alçado à condição de crime por decisão contábil do TCU. Isso decorre da bagunça institucional a que chegamos pela caduquice da Constituição de 88.

Porém, minha opinião contra o impedimento não me faz reconhecer méritos no Governo Dilma. Ela herdou conscientemente, e aceitou a herança, um barco furado. E ajudou no aprofundamento do naufrágio. Uma prática governamental sustentada na economia da esmola, populismo rasteiro e demagógico.

Para consumar o projeto político que levou o PT ao poder, o petismo vendeu a alma. Ou trocou. Juntou-se com todo tipo de gente. Sem qualquer escrúpulo de caráter ou de ações. Estraçalharam a Petrobrás. Desmoralizaram os programas sociais, que são na verdade programas eleitorais. Fizeram tudo o que criticavam nos outros. E se juntaram com os mesmos “outros”.


Agora, foram abandonados pelos “leais” aliados. Nunca quiseram ouvir as vozes críticas de aliados antigos e honestos. Preferiram a bajulação e o conluio dos que agora pulam do barco. Cumplicidade não é sinônimo de aliança. Deturparam a lição de Lênin. A História cobra com juros de mora.

domingo, 6 de março de 2016

NOTA DO JUIZ DESACREDITA ISENÇÃO; por François Silvestre

Em primeiro lugar um Juiz não precisa justificar, fora dos Autos, uma decisão.
A Nota do Juiz Sérgio Moro desqualifica a isenção. Primeiro, porque a explicação informa insegurança da decisão, na forma.
No mérito, ele diz ter querido evitar tumulto.
Pois foi isso mesmo que ele provocou: tumulto. De tal natureza que até juristas que o defendiam começam a claudicar na defensiva.
E não se se sabe o volume do tumulto que sua decisão precipitada produzirá. Na decisão ele diz que o acusado merece respeito, pela pessoa e pela dignidade do cargo que exerceu.
E afirma que a ele é dado o direito ao silêncio. Ora, se é dado o direito ao silêncio, pra que serve a coerção pra depor?
Ficando calado, morria a coerção.
Só o samba do crioulo doido explica a nossa nova ordem jurídica.
E não fuja o Dr. Sérgio Moro da responsabilidade do tumulto que ele provocou. Cujas consequências ele colherá.
Imagem:Reprodução


domingo, 7 de fevereiro de 2016

LATADA DA VERDADE, CASA DA MENTIRA por François Silvestre

Que o governo perdeu o rumo, ninguém discute. Que o petismo e seus aliados montaram o maior esquema descoberto de corrupção já registrado no Brasil, ninguém duvida. 

Essa é a verdade. A latada. Mas ao atravessá-la e entrar na casa você começa a tropeçar em mentiras. 

Em matéria de maucaratismo a delação premiada é a pós graduação do corrupto. Se alguém imaginava ser o corrupto um esgoto humano, o corrupto delator é a fossa que recebe o esgoto. Até ontem, os tucanos e seus aliados apostavam todas as fichas nas versões dos delatores. 

Hoje, após um delator citar o tucanato como beneficiário de receptação de propina, tudo mudou. Os tucanos entraram na casa. 

E quem fica na latada? O contribuinte. Roubado, espoliado e cooptado.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

NOVAMENTE A PRIMEIRA CHANCE por François Silvestre

Ouvi numa canção de Rock uma frase poética que dizia assim: Não quero uma segunda chance. Mesmo que me seja dada uma segunda vida, quero novamente a mesma primeira chance.
Pois é. Não tive o talento de compor esses versos, mas foi sempre assim que repensei minha vida. Gostaria de uma segunda vida, não de uma segunda chance. Até porque gostaria de ter os mesmos amigos para amar e os mesmos inimigos para desprezar. O mesmo lugar de nascimento, a mesma origem e a mesma família bocó da primeira vez.
Os mesmos mofumbos para me esconder e o mesmo jardim da casa da minha avó. Os mesmos medos para vencer e os mesmos sonhos inalcançáveis. As mesmas molecas que pari e os mesmos paridos delas.
Nem o cinzento da seca eu quero diferente, pois só assim a chuva se faz desejo.
As mesmas dores, para exercitar a tática de vencê-las. Os mesmos atropelos, para afiar o gume de superá-los. E mesmo sem vencer umas ou superar outros, não peço suavidade neles, mas a chance de ter de novo a mesma primeira chance.
Arrependimentos, não. Que é coisa de cristão. E só fui cristão na infância, por indução irresistível. Autocrítica, nem tanto, que é coisa de marxista; e eu o fui, na mocidade, por influência da ingenuidade.
Mesmo assim quero Cristo de novo e novamente Marx, na nova primeira chance. Grandes figuras que nasceram na humanidade errada, ou na pré-humanidade. Ambos deformados pelas seitas paridas dos seus nomes. Nem Cristo era cristão nem Marx foi marxista.
Alguns livros nem abriria, dormiriam antes da primeira leitura. Outros a serem abertos, poucos; pois a vida merece mais vida do que leitura. Não escrever antes dos quarenta, para só renegar a escrita aos sessenta.      E rasgar meia página de cada página escrita. E da meia página salva, deixar exposto apenas o último parágrafo.
Apoiar todas as campanhas contra a bebida alcoólica, acompanhado de uma cerveja gelada; para dar testemunho da irresistível hipocrisia. Diminuir o estoque e agradar aos abstêmios.
Aprender todas as rezas de afugentar visagens; durante a noite, e esquecê-las ao amanhecer. Ganhar do jumento a paciência e o tamanho do pau. Invejar por admiração e nunca por despeito.
Olhar de chã e igualdade para os humildes, ombro a ombro. Olhar de serra pra grota, de cima pra baixo, os poderosos. Os falsos ou fáceis arrogantes. Não perder a oportunidade de um peido na presença deles.
Manter distância higiênica do poder. Cuja força esmorece na própria vulnerabilidade. O poder atrai bajulante como mosquito em manga podre. Movediços e siameses.
Manter reclusão na democracia e acender revolta na ditadura. A democracia é uma ditadura alegre. Tão mentirosa quanto. Lutar por eleições e depois votar nulo.
Peço ao infinito surdo uma segunda vida quase do jeito da primeira vez. Numa nova e mesma primeira chance. Té mais.

domingo, 16 de agosto de 2015

A SENSATEZ FICOU EM CASA por François Silvestre

Ninguém tem dúvida de que o Governo Federal perdeu o apoio da população. Isso você vê e ouve em qualquer lugar. Sem discussão. 

O que houve hoje? A Direita, sob a batuta midiática da Globo, Veja e de outros menos votados recebeu um recado claríssimo. 

O instituto Lula, que ousou fazer uma mobilização contrária, recebeu o mesmo recado. 

Qual? Nem vocês do PT/PMDB merecem apoio nem vocês do tucanato Globo/Veja merecem crédito. 

Duas movimentações pífias. A sensatez ficou em casa. A esperar uma alternativa confiável.

*Fonte: Blog do François Silvestre

domingo, 26 de julho de 2015

O PODER QUE CURA E MATA por François Silvestre

Se o PT não tivesse estabelecido a meta de abocanhar o poder “ad perpetuam rei memoriam” e nele houvesse permanecido por oito anos, voltando à oposição, para tentar o retorno, certamente não teria saído da cura para a morte. O PT vive aquele drama do fim da história. Tese, antítese…cadê a síntese? 

A síntese foi a melancolia de negar-se  à autocrítica. Hoje, é refém da própria impureza que tanto criticou. E se vê na humilhação de ter no comando da Economia um grupo de neoliberais.
O mesmo neoliberalismo que o PT derrotou nas urnas e que sempre foi alvo do seu ódio, agora dita as regras de uma economia em frangalhos. É o envelhecimento que não perdoa qualquer tipo de vida. 

E o Poder é uma forma de vida, com todas as características desta. Nasce, cresce, envelhece, adoece e morre.

Fonte: Blog do François Silvestre 
Imagem: Internet

domingo, 19 de julho de 2015

IMPEACHMENT É VINGANÇA - por François Silvestre

O procedimento de impeachment da presidente Dilma é nas atuais circunstâncias uma vingança pessoal do Deputado Eduardo Cunha. Ele mesmo explicava, com razão, que o procedimento não era cabível. E não é. Mudou de ideia por rixa pessoal, sem qualquer sentido político ou patriótico.

O Brasil vive uma crise que nos oferece duas saídas: Ou todos se unem para salvar a economia, mesmo sem aderência política, ou mergulharemos todos na incerteza de tempos sem rumo. 

O Governo falhou, desde o discurso destoante da prática até a ausência de autocrítica. Mas isso não pode ser pretexto para manobras desestabilizadoras. Impeachment, neste momento, é golpe. Não há outro nome.

Imagem:Radar online
Fonte:Blog do François Silvestre
 

terça-feira, 31 de março de 2015

FRANÇOIS SILVESTRE: "DESPEDIDA DE MATUTOS"

Um compadre, após receber a visita do fazendeiro amigo, despede-se: “Parta com Deus, insigne partinte”. Enquanto o que partia, respondeu: “Fique com Deus, insigne ficante”.

domingo, 7 de setembro de 2014

CHORANDO DE BARRIGA CHEIA por François Silvestre

Nós, eleitores e moradores desse mundão Brasil, choramos de barriga cheia. Basta ver o programa eleitoral na TV. Todos os candidatos já criaram alguma coisa ou tiveram participação na criação de outras. Obras na Educação, todo mundo já fez. Na saúde, todo mundo também. Na Segurança, Lazer, Esporte. É tanta coisa feita, que se alguém de fora, turista da Copa, por exemplo, ouvisse nossas reclamações, iriam com certeza nos chamar de saguis. Sabe por quê? Porque o sagui, ou sõim, é mamando e com os olhos cheios d’água. Chorando de barriga cheia. Ô povim ingrato!

*Portal No Ar

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

FRANÇOIS SILVESTRE: A diferença do igual ou o fantasma na escada

O Governo do PT alerta o Brasil para o risco da aventura que seria eleger Marina Silva. Isso me faz lembrar de outro alerta, quando o Governo de então assustava o povo, dizendo que Lula era uma aventura perigosa.

Empresários ameaçavam abandonar o Brasil. Lembram? Collor dizia que Lula iria congelar a poupança. O que aconteceu depois? Collor matou a poupança e Lula, tempos depois, foi eleito e ninguém precisou abandonar o Brasil. Por que a repetição dessa mesma bobagem? 

Marina Silva é brasileira, emancipada, com direitos políticos. Pode, portanto, ser Presidente. 

O Malassombro continua descendo as escadas, num arrastar de correntes, sem vidros quebrados, como diria o poeta, “procurando os seus guardados no fundo de um baú inexistente”.

*Portal no Ar

sábado, 9 de agosto de 2014

DEMOCRACIA DE MIÇANGA por François Silvestre


A cavilação das pesquisas começa a mostrar a cara. E daqui pra frente vai ter pesquisa pra todos os gostos. Gosto e maquinação. Um jeitinho aqui, outro ali. Tudo varia de acordo com o interesse do contratante. Um aumentozinho na “margem de erro”, para evitar cobranças futuras. Uma declaração imprecisa da amostragem, informações dispersas. Tem jeito pra tudo na democracia de miçanga!

domingo, 22 de junho de 2014

PROSA COM FRANÇOIS: "O POVO BRASILEIRO TAMBÉM MERECE SER ESTRANGEIRO"

Na Coluna Plural do Novo Jornal.
Merecemos ser estrangeiros.

O povo brasileiro também merece ser estrangeiro. Ou melhor, ser tratado como aqui se tratam os turistas ou visitantes ilustres de outras plagas. Não confundir com pragas. Ter segurança de estrangeiro, tratamento de estrangeiro, paparicação de estrangeiro.

Nada contra os estrangeiros, muito pelo contrário, apenas desejo de um tratamento similar.

Se os estádios onde os estrangeiros vão jogar são drenados e refratários aos alagamentos. Nós também queremos ruas drenadas, como se também fossemos estrangeiros. Para nelas jogar as peladas da vida, do trabalho, da educação, saúde, cultura; com segurança de estrangeiros.

Se as delegações estrangeiras deslocam-se com segurança dos hotéis para os campos, dos campos para as praias, nas ruas, festas e passeios, nós também queremos segurança para andar no trânsito, ir aos supermercados, à praia, às padarias, farmácias, aos bancos.

Quero minha dupla nacionalidade. Sem abrir mão de ser brasileiro, reivindico o direito de ser holandês, francês ou alemão. Desde que mereça o tratamento que eles merecem.

Prefiro a África. Mas os africanos são brasileiros que também não deram certo, como diria Parreira, que afirmou ser a CBF o Brasil que deu certo. Certo pra quem, cara impálida?

No embate entre qualquer país da África contra qualquer time da Europa, eu sou África. No confronto entre as Américas eu sou, de lavagem, as terras cá da América Latina.  Nada contra os americanos do Norte, mesmo que mereça ser contra tudo do que de lá se faz contra os daqui.

Diferentemente de alguns ilustres descendentes da África de Castro Alves, prefiro Mandela a Churchill. Mas há ilustres ilustríssimos que preferem falar alemão, inglês, francês, mesmo que não saibam pronunciar uma única frase em banto, nagô ou haussá. Línguas nas quais seus ancestrais espantavam os demônios e urravam baixinho as dores da escravidão.

O que se pode fazer contra os preconceitos e preconceituosos? Nada. Ou melhor, tudo. Basta ignorá-los. Dando ou comendo bananas. O pior de todos os preconceitos é aquele que esconde a insatisfação do próprio possuidor daquela condição.

Mas voltemos ao apelo inicial. Também quero ser estrangeiro. Tomando cerveja ou cachaça. Comendo paçoca com banana prata. Dormindo em rede, no alpendre, como se fazia antigamente, quando havia segurança de estrangeiro.

Vem a memória os veraneios de Muriú. Tota Zerôncio, Roberto Furtado, Décio Holanda, Jair Navarro, Lenilson Carvalho, Omar Guerreiro, Aécio Emerenciano, Rui Pereira, Wellington Aires do Couto, Petit das Virgens. Quem deixasse seus pertences de um veraneio para outro, numa casa ou noutra, encontrava-os  intactos no ano seguinte.

Segurança que hoje é privilégio dos estrangeiros. Dividimo-nos entre nativos assustados e nativos bandidos.
Estiro a baciínha de esmolar: Uma nacionalidade, pelo amor de Deus! Té mais.
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