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domingo, 1 de setembro de 2019

ERA UMA VEZ EM... NATAL (3)

Piso molhado: spoilers!

Para quem esperava um banho de sangue, tão ao seu estilo, mais uma vez ele surpreende. Teria nos poupado de ver a linda Sharon outra vez assassinada. 

Por que matar de novo a talentosa atriz, grávida de 8 meses, trucidada seguidamente por esses anos a fio? 

Os massacres em série na sociedade americana deram cria bichos horripilantes que, mesmo de 7 cabeças, não são mais nenhuma novidade.

Transfere o cineasta a cena desnecessária e sua maldição para a casa dos vizinhos do bairro chique  de Cielo Drive, com uma diferença impactante: 
o bando de Manson, que chega de Ford Galaxie (réplica do carro do serial killer ) no meio da noite de terror, leva a pior e não consegue deixar o lugar com os próprios pés.

Em entrevista, Tarantino quando indagado sobre o por quê da mistura de realidade e ficção, saiu-se com palavras emprestadas ao cineasta John Milius no seu filme _Juiz da Forca_ : “As coisas não são como foram, mas como deveriam ter sido”.

[ 50 anos se passaram da tragédia. Hoje se pode dizer e sentir a aldeia global em que o mundo se transformou. Qualquer rincão, cercado ou não de serra, rio, ou mancha de mato,  é parede-e-meia de toda parte da terra, Helsinque, Serra Leoa, Milão, Paris, New York, Cabrobó... Se a morte da atriz não chegou a tantos, um filme de mentirinha sobre sua morte na certa  chegará. A capilaridade da notícia, o boato, o smartphone que o estilhaça, a comprovar a antecipação de McLuhan.]

*Napoleão de Paiva

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

CRÔNICA - O FIM DO MUNDO DIA A DIA

Muitas pessoas falam que o Fim do mundo está próximo, ou melhor, que ele até deveria ter acontecido. Mas o que presenciei esses dias ultrapassa o que denomina-se FIM DO MUNDO: um pai, uma mãe e seu casal de filhos. Aí você me pergunta: O que há de errado? Estás falando de uma família. Pois bem, vamos aos detalhes:

Era meio dia e esse pai de família, responsável pela organização da base familiar encontrava-se bêbado no centro da Cidade. Como se não bastasse, os filhos o tratavam com desprezo, se o que presenciei pode ser chamado de tratamento.

A mulher - e mãe das crianças - segurava uma sacola de bolachas que foram compradas com o  "Bolsa Família", programa do Governo Federal.

Após essa curta descrição volto ao pai: sentado no chão, falando palavras de baixo calão, dirigia-se aos filhos e despertava-lhes asco e medo. Ao seu lado, encontrava-se uma de óleo diesel. Função? Acender a lamparina, pois no sítio em que essa "família mora" ainda não tem energia elétrica.

Não sei porque motivos, o pai apanha a garrafa e toma goles desse combustível. Em seguida, passa mal ;  a mulher começa a rir e diz: "miserável, você quer morrer !". Minutos depois o homem acende seu cigarro e demonstra imenso prazer proporcionado por este vício. Ele levanta-se e sai sem destino. A mulher e os filhos pegam um carro que os deixará na beira da estrada rumo à casa.

Não pudemos vivenciar o fim do mundo anunciado pelas grandes mídias, mas presenciamos o fim da estrutura familiar, o fim do ser humano, ou melhor, o próprio  "fim do mundo" de verdade.

E que venha 2013.

Texto: Flávia Melo
Foto: Reprodução

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