O Brasil se prepara para herdar da Copa de 2014 uma
"manada" de elefantes brancos pagos com o dinheiro público. Todas as
cidades estão vendo a construção de estádios caríssimos com dinheiro
público e que, depois da Copa, serão fortemente subutilizados. Há casos,
como o de Manaus, onde o estádio local tem 100 vezes mais capacidade do
que a média de público dos jogos locais.
Já estamos carecas de saber que a maior média de público do Campeonato
Brasileiro de Futebol (não importa a divisão) é menor que a média de
muitos campeonatos fracos e medianos europeus. Então que tal conhecer,
dentro dos nossos limites, qual cidade sede da Copa de 2014 está dando
um baile nas demais e qual está completamente desligada do universo
futebolístico?
Analisando as médias de público das séries A , B , C e D
de 2012 chegamos a esses números que estão listados abaixo. Além dos
espectadores, cada parágrafo mostra o custo de cada reforma e
construção, o que será feito do estádio após o campeonato mundial da
Fifa e quem paga essa conta. Outro prejuízo para o contribuinte deve vir
com a capacidade ociosa da maioria dos estádios brasileiros, uma vez
que nenhum dos estádios financiados com dinheiro público teve um estudo
de viabilidade econômica feito para que a obra se sustentasse após o
evento de 2014.
Mineirão - Belo Horizonte/MG
Capacidade: 64,5 mil lugares
Custo da reforma/construção: R$ 666,3 milhões (estádio: R$ 438,2 mi / esplanada: R$ 228,1 mi)
Média de público nas partidas na cidade: 10.267,6 pessoas
Quem banca a obra: Governo Federal, Governo Estadual e Parcerias Público-Privadas (PPPs)
Construtoras: Construcap, Egesa e Hap
Depois da Copa: Concessão por 27 anos, abrigará jogos do Atlético, Cruzeiro e América.
Mané Garrincha - Brasília/DF
Capacidade: 71 mil lugares
Custo da reforma/construção: R$ 863,2 milhões (cobertura: R$ 173,9 mi)
Média de público nas partidas na cidade: 941 pessoas
Quem banca a obra: Governo Federal, Governo Estadual e Parcerias Público-Privadas (PPPs)
Construtoras: Consórcio Brasília 2014 (Via Engenharia e Andrade Gutierrez)
Depois da Copa:
O estádio será entregue à iniciativa privada podendo se tornar ponto
turístico, abrigar grandes shows e ter prioridade em jogos da seleção
brasileira.
Arena Pantanal - Cuiabá/MT
Capacidade: 43.6 mil lugares
Custo da reforma/construção: R$ 454,2 milhões
Média de público nas partidas na cidade: 941,3 pessoas
Quem banca a obra: Governo Federal, Governo Estadual e Parcerias Público-Privadas (PPPs)
Construtoras: Santa Bárbara e Mendes Júnior
Depois da Copa:
O estádio será entregue à iniciativa privada podendo se tornar ponto
turístico, abrigar grandes shows e ter prioridade em jogos da seleção
brasileira.
Arena da Baixada - Curitiba/PR
Capacidade: 41.375 mil lugares
Custo da reforma/construção: R$ 183 milhões
Média de público nas partidas na cidade: 5.688 pessoas
Quem banca a obra:
A modernização da arena curitibana é de responsabilidade da Carlos
Arcos Arquitetura. Para as obras (construção do quarto lance de
arquibancadas e da cobertura), o município liberou créditos de potencial
construtivo de R$ 90 milhões para o Atlético-PR.
Construtora: Indefinida
Depois da Copa: O estádio continuará sob os cuidados do seu dono, o Atlético.
Castelão - Fortaleza/CE
Capacidade: 67 mil lugares
Custo da reforma/construção: R$ 518,6 milhões
Média de público nas partidas na cidade: 11.715 pessoas
Quem banca a obra: Governo Federal, Governo Estadual e Parcerias Público-Privadas (PPPs)
Construtoras: Consórcio Galvão, Andrade Mendonça e BWA (operadora)
Depois da Copa: Concessão por oito anos para a Arena Castelão Operadora de Estádio S/A.
Arena da Amazônia - Manaus/AM
Capacidade: 44.310 mil lugares
Custo da reforma/construção: R$ 532,2 milhões
Média de público nas partidas na cidade: 359 pessoas
Quem banca a obra: Governo Federal e Governo Estadual
Construtora: Andrade Gutierrez
Depois da Copa:
O estádio será entregue à iniciativa privada podendo se tornar ponto
turístico, abrigar grandes shows e ter prioridade em jogos da seleção
brasileira.
Estádio das Dunas - Natal/RN
Capacidade: 45 mil lugares
Custo da reforma/construção: R$ 417 milhões
Média de público nas partidas na cidade: 2.319 pessoas
Quem banca a obra: Governo Federal, Governo Estadual e Parcerias Público-Privadas (PPPs)
Construtora: OAS
Depois da Copa: PPP (20 anos de concessão).
Estádio Beira Rio - Porto Alegre/RS
Capacidade: 60,8 mil lugares
Custo da reforma/construção: R$ 330 milhões
Média de público nas partidas na cidade: 16.377,5 pessoas
Quem banca a obra: Iniciativa Privada
Construtora: Andrade Gutierrez
Depois da Copa: O estádio continuará sob os cuidados do seu dono, o Internacional.
Arena Pernambuco - São Lourenço da Mata/PE
Capacidade: 46 mil lugares
Custo da reforma/construção: R$ 500,2 milhões
Média de público nas partidas na cidade: 18.224,3 pessoas
Quem banca a obra: PPP (governo de Pernambuco)
Construtora: Odebrecht
Depois da Copa: O estádio continuará sob os cuidados do governo pernambucano.
Estádio do Maracanã - Rio de Janeiro/RJ
Capacidade: 76 mil lugares
Custo da reforma/construção: R$ 883,5 milhões
Média de público nas partidas na cidade: 14.243,6 pessoas
Quem banca a obra: Governo Federal e Estadual
Construtoras: Andrade Gutierrez, Odebrecht e Delta
Depois da Copa: O estádio continuará sob os cuidados do governo carioca.
Arena Fonte Nova - Salvador/BA
Capacidade: 50 mil lugares
Custo da reforma/construção: R$ 597 milhões
Média de público nas partidas na cidade: 11.805 pessoas
Quem banca a obra: Governo Federal e Estadual
Construtoras: Odebrecht e OAS
Depois da Copa: PPP (concessão por 35 anos).
Arena Corinthians - São Paulo/SPCapacidade: 65 mil lugares
Custo da reforma/construção: R$ 900 milhões
Média de público nas partidas na cidade: 10.084,8 pessoas
Quem banca a obra: Governo Federal e Iniciativa Privada
Construtora: Odebrecht
Depois da Copa: O estádio ficará sob os cuidados do seu dono, o Corinthians.
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