Do Estadão Conteúdo:
O jantar promovido na quarta-feira, 20, pelo apresentador Luciano
Huck com a presença da ex-ministra Marina Silva (Rede) e integrantes do
movimento Agora! frustrou as expectativas dos ativistas presentes.
Segundo relatos de participantes, a ideia era tentar romper o isolamento
político da pré-candidata, que até agora não se aproximou de nenhuma
legenda.
Defendida por setores da Rede, uma eventual aliança com o PPS, que
poderia indicar o presidente da legenda Roberto Freire como vice na
chapa, foi abordada no encontro, mas Marina teria demonstrado pouca
disposição para o diálogo.
No domingo, 17, o senador Randolfe Rodrigues (AP) afirmou ao jornal O
Estado de S. Paulo que a Rede estaria buscando Freire para ser vice na
chapa de Marina. O presidente do PPS, contudo, nega que tenha sido
procurado e continua defendendo que o seu partido mantenha o compromisso
de apoio ao tucano Geraldo Alckmin.
No jantar, Marina elogiou Freire, lembrou que eles estiveram juntos
na disputa presidencial de 2014 (o PPS apoiou a candidatura de Eduardo
Campos/Marina, do PSB) e que isso tornaria uma aliança entre as siglas
algo “natural”. Marina não deu, porém, nenhum indicativo de que iria
procurá-lo, ou de que se esforçaria para costurar um acordo.
Após o encontro, o apresentador telefonou para Freire, relatou o
encontro e estimulou o dirigente a procurar a ex-ministra. A avaliação
no PPS, porém, é que a iniciativa de um eventual diálogo teria que
partir dela.
O partido, que conta com oito deputados federais, está hoje alinhado
com Geraldo Alckmin (PSDB) por determinação aprovada no último seu
congresso nacional, realizado em março deste ano. A avaliação
majoritária do PPS é que a legenda sozinha não tornaria Marina
competitiva.
A Rede tem apenas cerca de 10 segundos no horário eleitoral gratuito
de rádio e TV. Além disso, o partido, que possui somente dois deputados
federais, não conta com pré-candidatos competitivos nos Estados, tem uma
estrutura partidária precária e poucos recursos do fundo público
eleitoral.
Renovação
Neste ano, o PPS e Rede abriram as portas para os movimentos de
renovação política. O Agora! foi um deles. A aproximação capitaneada por
Huck representa essa ala “nova” do partido de Freire. Esse grupo,
contudo, resiste em apoiar Alckmin.
Procurada, a assessoria da Rede disse que o jantar foi uma conversa
sobre “uma eventual possibilidade” de apoio do Agora! à candidatura de
Marina. A assessoria de Huck e integrantes do movimento não quiseram se
manifestar.
Polo democrático
O movimento Agora!, do qual Huck faz parte, vai participar do próximo
dia 28, em São Paulo, de ato político do chamado “polo democrático e
reformista”, movimento suprapartidário que tenta unificar as
pré-candidaturas do centro ainda no primeiro turno.
Também estarão presentes os movimentos Juntos e ‘Acredito. O
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso confirmou presença. Os
integrantes do grupo tentam atrair Marina Silva para o debate, mas ela
resiste.
Segundo interlocutores do PPS, Luciano Huck estaria empenhado em
reduzir o número de candidaturas para evitar que a eleição seja
polarizada entre um nome da esquerda e Jair Bolsonaro, do PSL.
As
informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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sexta-feira, 22 de junho de 2018
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
OS ERROS DE MARINA NA CAMPANHA ELEITORAL
Fernando Caulyt
Deutsche Welle
A queda de Marina Silva foi tão brusca quanto a ascensão. Após ficar 45 dias em segundo lugar nas pesquisas, a ex-senadora perdeu fôlego, foi superada por Aécio Neves e foi eliminada da disputa já no primeiro turno, numa das eleições mais surpreendentes desde a redemocratização.
Para especialistas ouvidos pela DW Brasil, a derrocada de Marina é fruto de uma conjuntura de fatores, como os ataques capitaneados por PT e PSDB, destinados a descontruí-la como candidata; as contradições de seu plano de governo; e a dificuldade de sua campanha de capitalizar o desejo de mudança de parte dos brasileiros.
“O tempo do PT na TV e rádio era muito maior, e a presidente Dilma Rousseff e seu partido elegeram Marina, e não Aécio, como alguém a ser batido. Houve uma desconstrução muito forte da imagem da pessebista por parte do PT”, diz o sociólogo Rodrigo Prando, do Mackenzie. “O PT usou de artilharia pesada, mas Marina ofereceu munição para ser criticada. Enquanto isso, Aécio não perdeu as esperanças e não desanimou.”
Munição para adversários
Cinco dias após a morte de Eduardo Campos, em 13 de agosto, Marina já aparecia à frente de Aécio na primeira pesquisa divulgada pelo Datafolha (21% contra 20%). Nas duas sondagens seguintes, alcançou o pico de 34%, para, a partir daí, começar a cair. No último domingo, teve apenas 21% dos votos válidos, patamar similar ao de quatro anos atrás, quando obteve 19%.
Alçada ao centro das atenções da corrida ao Planalto, Marina também passou a ser o principal alvo das críticas e questionamentos de seus adversários. Além disso, teve que se apressar para fechar um plano de governo, que, aos poucos, foi revelando contradições.
Marina chegou a ter em seu plano de governo, por exemplo, o apoio à ampliação de direitos de casais homossexuais, mas voltou atrás em menos de 24 horas após sofrer pressão dos evangélicos, que representam um quinto de seu eleitorado.
A falta de clareza em relação ao programa não deu segurança para o eleitor. E mesmo o brasileiro que buscava uma alternativa acabou, diante das urnas, recorrendo à opção mais tradicional, ainda que Marina dissesse representar uma "nova política".
Para Leonardo Paz, cientista político do Ibmec/RJ e coordenador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Dilma e Aécio, com programas mais estruturados, tiveram munição para atacar a pessebista e mostrar que eram mais bem preparados.
“Marina queria ser uma presidente para todo o país e ficar acima de rixas partidárias. Ela mesma afirmou que gostaria de governar o país com os melhores de cada partido, o que não agradou a nenhuma das duas legendas”, afirma Paz. “Essas propostas ficam enfraquecidas quando o eleitor não vê muita clareza na capacidade dela governar de fato.”
Deutsche Welle
A queda de Marina Silva foi tão brusca quanto a ascensão. Após ficar 45 dias em segundo lugar nas pesquisas, a ex-senadora perdeu fôlego, foi superada por Aécio Neves e foi eliminada da disputa já no primeiro turno, numa das eleições mais surpreendentes desde a redemocratização.
Para especialistas ouvidos pela DW Brasil, a derrocada de Marina é fruto de uma conjuntura de fatores, como os ataques capitaneados por PT e PSDB, destinados a descontruí-la como candidata; as contradições de seu plano de governo; e a dificuldade de sua campanha de capitalizar o desejo de mudança de parte dos brasileiros.
“O tempo do PT na TV e rádio era muito maior, e a presidente Dilma Rousseff e seu partido elegeram Marina, e não Aécio, como alguém a ser batido. Houve uma desconstrução muito forte da imagem da pessebista por parte do PT”, diz o sociólogo Rodrigo Prando, do Mackenzie. “O PT usou de artilharia pesada, mas Marina ofereceu munição para ser criticada. Enquanto isso, Aécio não perdeu as esperanças e não desanimou.”
Munição para adversários
Cinco dias após a morte de Eduardo Campos, em 13 de agosto, Marina já aparecia à frente de Aécio na primeira pesquisa divulgada pelo Datafolha (21% contra 20%). Nas duas sondagens seguintes, alcançou o pico de 34%, para, a partir daí, começar a cair. No último domingo, teve apenas 21% dos votos válidos, patamar similar ao de quatro anos atrás, quando obteve 19%.
Alçada ao centro das atenções da corrida ao Planalto, Marina também passou a ser o principal alvo das críticas e questionamentos de seus adversários. Além disso, teve que se apressar para fechar um plano de governo, que, aos poucos, foi revelando contradições.
Marina chegou a ter em seu plano de governo, por exemplo, o apoio à ampliação de direitos de casais homossexuais, mas voltou atrás em menos de 24 horas após sofrer pressão dos evangélicos, que representam um quinto de seu eleitorado.
A falta de clareza em relação ao programa não deu segurança para o eleitor. E mesmo o brasileiro que buscava uma alternativa acabou, diante das urnas, recorrendo à opção mais tradicional, ainda que Marina dissesse representar uma "nova política".
Para Leonardo Paz, cientista político do Ibmec/RJ e coordenador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Dilma e Aécio, com programas mais estruturados, tiveram munição para atacar a pessebista e mostrar que eram mais bem preparados.
“Marina queria ser uma presidente para todo o país e ficar acima de rixas partidárias. Ela mesma afirmou que gostaria de governar o país com os melhores de cada partido, o que não agradou a nenhuma das duas legendas”, afirma Paz. “Essas propostas ficam enfraquecidas quando o eleitor não vê muita clareza na capacidade dela governar de fato.”
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Beneficiados pelo BOLSA FAMÍLIA receberão 13º salário, afirma MARINA SILVA no debate da Globo
Na noite desta quinta-feira (2), a candidata à Presidência da
República pela Coligação Unidos pelo Brasil, Marina Silva, participou do
último debate entre os presidenciáveis antes das eleições. No evento
realizado pela Rede Globo, a candidata reforçou compromissos
apresentados em seu Programa de Governo e ressaltou mais uma vez a
importância de ampliar o alcance de programas sociais como o Bolsa
Família, ao qual cerca de 4 milhões de pessoas, apesar da necessidade,
ainda não conseguiram acesso.
“No nosso governo vamos dar o 13º salário para aquelas pessoas que hoje recebem o Bolsa Família e isso vai melhorar a condição de vida das pessoas”, disse Marina. “Porque a pior coisa que há é chegar na época do Natal e não ter como sequer dar uma ceia ao seu filho”.
Marina disse que essa proposta estava sendo estudada desde a época em que Eduardo Campos, falecido em 13 de agosto, encabeçava a chapa. “Estávamos estudando o lançamento da proposta, fazendo os cálculos adequados para ver se havia capacidade de suporte”, disse. “Será possível porque vamos fazer mudanças, vamos combater a corrupção e os juros altos”, citou.
“No nosso governo vamos dar o 13º salário para aquelas pessoas que hoje recebem o Bolsa Família e isso vai melhorar a condição de vida das pessoas”, disse Marina. “Porque a pior coisa que há é chegar na época do Natal e não ter como sequer dar uma ceia ao seu filho”.
Marina disse que essa proposta estava sendo estudada desde a época em que Eduardo Campos, falecido em 13 de agosto, encabeçava a chapa. “Estávamos estudando o lançamento da proposta, fazendo os cálculos adequados para ver se havia capacidade de suporte”, disse. “Será possível porque vamos fazer mudanças, vamos combater a corrupção e os juros altos”, citou.
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
ELEIÇÕES 2014: Em vídeo inédito da campanha de TV, Campos enaltece Marina e ataca PT

O vídeo original, de dois minutos de duração, foi substituído por outro feito com imagens do velório de Campos ao som de um discurso lido por Marina em homenagem ao companheiro de chapa. A ex-senadora só foi ao ar como candidata nesta quinta-feira, depois da aprovação de sua entrada na corrida eleitoral pela Executiva do PSB e partidos coligados, ocorrida na tarde de quarta.
O programa exibido nesta quinta mostrou Marina emocionada, interrompendo a leitura do discurso e recordando o vídeo original gravado com Campos. ”Vi com muita emoção o primeiro programa de TV que íamos levar ao ar e me tocou profundamente a imagem do abraço que nos demos”, afirmou.
O discurso do vídeo original mostra Campos contando a história da entrada de Marina no PSB e a construção da “terceira via”. Ambos não pouparam, no entanto, um ataque direto à campanha petista, cujo slogan é “Muda Mais”. “Chega da propaganda que diz que é preciso mais mudança, quando elas não foram feitas nos últimos quatro anos”, disse o ex-governador pernambucano. Assista:
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
ELEIÇÕES 2014: Marina aceita substituir Campos e autoriza consulta ao PSB sobre candidatura

Iolando Lourenço
A ex-ministra do Meio Ambiente e candidata à Vice-Presidência da República Marina Silva aceitou ser cabeça de chapa da coligação Unidos para o Brasil, em substituição ao ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), que morreu quarta-feira (13), em acidente aéreo em Santos, no litoral de São Paulo. Hoje (15), o presidente do PSB, Roberto Amaral, foi à casa de Marina para saber se ela autorizava uma consulta ao partido sobre a candidatura dela ao cargo.
Segundo o líder do PSB na Câmara dos Deputados, Beto Albuquerque (RS), a ex-ministra aceitou que seja feita a consulta para saber se o partido concorda com sua candidatura à Presidência da República em substituição a Campos. Beto Albuquerque confirmou que Marina disse sim à consulta e que aceita disputar a presidência pela coligação formada pelo PSB, PPS, PPL, PRP, PHS, além da Rede Sustentabilidade, que ainda não tem registro.
O deputado, que está em São Paulo acompanhando os trabalhos de identificação das vítimas do acidente aéreo de quarta-feira, informou que foi à casa de Marina Silva na noite de ontem (14), para lhe dar um abraço e conversar sobre a necessidade de uma releitura da campanha de Campos e de ela adotar também o discurso que vinha sendo feito pelo ex-governador.
Para Albuquerque, não haverá dificuldade para que os partidos da coligação aceitem a ex-ministra como cabeça de chapa.
O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), disse à Agência Brasil que seu partido foi o primeiro da coligação a aconselhar que Marina fosse a substituta de Campos na corrida eleitoral. “Marina Silva vai unir os partidos da coligação", afirmou o parlamentar. Para ele, está havendo consenso em torno do nome dela para a disputa. Quanto a um nome para ser o companheiro de chapa de Marina, caso seja confirmada sua indicação, Freire acredita que “o PSB reivindique o cargo”. O mais importante agora “é consolidar a candidatura de Marina Silva à Presidência”, destacou.
A decisão final sobre quem substituirá Eduardo Campos na disputa deverá ser tomada quarta-feira (20), em Brasília, durante reunião do Diretório Nacional do PSB com deputados e senadores do partido e líderes da legenda.
A coligação Unidos para o Brasil tem até o dia 23 deste mês para informar à Justiça Eleitoral o nome de seu novo candidato à Presidência da República.
domingo, 6 de outubro de 2013
POLÍTICA: Eduardo e Marina pelo fim da polarização no Brasil
E
a união da ex-senadora Marina Silva com o PSB trouxe, finalmente, um
fato novo sobre a eleição. Aliás, um gesto político de alta
expressão, pois é o primeiro acontecimento além da disputa, para
2014.
Marina – segundo colocada em todas as pesquisas presidenciais, decidiu não ficar de fora da eleição, ao lado de Eduardo Campos (PSB) formalizou uma “coligação programática” da Rede com o PSB. ' Rede é 1º partido clandestino criado em plena democracia ', disse Marina.
Segundo interlocutores da ex-senadora, em conversa com o governador de Pernambuco, ela se colocou à disposição para ajudar no que for preciso, inclusive para ser a vice numa chapa presidencial.
Ela deixou claro nesta conversa que quer acabar com a dicotomia entre PT e PSDB, governo e oposição, no cenário político brasileiro.
No Minuto.com/Leonardo Souza
Marina – segundo colocada em todas as pesquisas presidenciais, decidiu não ficar de fora da eleição, ao lado de Eduardo Campos (PSB) formalizou uma “coligação programática” da Rede com o PSB. ' Rede é 1º partido clandestino criado em plena democracia ', disse Marina.
Segundo interlocutores da ex-senadora, em conversa com o governador de Pernambuco, ela se colocou à disposição para ajudar no que for preciso, inclusive para ser a vice numa chapa presidencial.
Ela deixou claro nesta conversa que quer acabar com a dicotomia entre PT e PSDB, governo e oposição, no cenário político brasileiro.
No Minuto.com/Leonardo Souza
sábado, 17 de agosto de 2013
ISTO É: Boa de voto, ruim de política
Josie Jeronimo ISTO É
Com o legado de 20 milhões de votos e um folgado segundo lugar nas
recentes pesquisas de intenção de voto, a ex-senadora Marina Silva
patina no mesmo ponto que a tirou do Ministério do Meio Ambiente há
cinco anos: a política.
Votos ela tem, mas não demonstra capacidade de
articulação para transformar um eleitorado que provoca inveja tanto no
tucano Aécio Neves como no socialista Eduardo Campos em força organizada
para disputar a Presidência em 2014.
Em atividade desde fevereiro,
quando reuniu militantes e seguidores em Brasília para lançar a Rede de
Sustentabilidade, Marina até conseguiu coletar um bom número de
assinaturas – mais de 800 mil – pelo País inteiro.
A dificuldade é que,
até agora, menos da metade das fichas de filiação foi certificada pela
Justiça Eleitoral. Pelos números obtidos durante seis meses, só um
milagre pode transformar o projeto da Rede numa legenda de verdade até o
dia 30 de setembro, prazo máximo para a filiação.
Foto: Joel Silva/FolhaPress
domingo, 26 de maio de 2013
MARINA SILVA : Entre a cruz e a espada
A
ex-senadora Marina Silva passou a viver recentemente um período
conturbado. Além de correr contra o tempo para viabilizar a criação da
Rede Sustentabilidade, partido pelo qual pretende disputar a Presidência
da República, em 2014, tem sido obrigada a expor, de forma efetiva,
opiniões sobre temas polêmicos como união homoafetiva, legalização das
drogas e descriminalização do aborto. No campo político, é acusada de
fazer jogo duplo por questões eleitorais, já que prega postura
“progressista” em relação temas espinhosos, mas não abre mão de
avaliações pessoais mais “conservadoras” sobre as mesmas questões.
sábado, 16 de fevereiro de 2013
MARINA SILVA LANÇA NOVO PARTIDO POLÍTICO
De olho nas eleições presidenciais de 2014, a ex-ministra Marina
Silva começou nesta sábado, 16, a coleta de assinaturas para criação de
um novo partido político. Debaixo de gritos de "Brasil urgente, Marina
presidente", ela foi lançada ao Palácio do Planalto por cerca de mil
militantes da futura legenda, que deverá se chamar Rede
Sustentabilidade. Ao defender princípios éticos, Marina afirmou que a
sigla não será "nem oposição, nem situação" ao governo de Dilma
Rousseff, mas admitiu fazer "alianças pontuais" em torno de ideias.
Apesar de exigir "ficha limpa" para seus dirigentes partidários e
candidatos, os filiados não precisarão seguir a mesma regra, podendo
entrar para o partido mesmo que tenham problemas com a Justiça. Não
serão aceitos, no entanto, aqueles que respondem a crimes do colarinho
branco, como corrupção. "Para filiar não precisa de ficha limpa",
afirmou o deputado Walter Feldman (SP), que deixará o PSDB para
ingressar no novo partido. Mais tarde, em discurso, João Paulo
Capobianco, um dos fundadores, assegurou que a legenda vai "coibir a
entrada de ficha suja".
Com um discurso recheado de menções ao meio ambiente, Marina Silva
afirmou que o novo partido não fará oposição ao governo Dilma. "Nós não
seremos nem oposição nem situação à Dilma (Rousseff). Se a presidente
estiver fazendo algo bom para o Brasil, nossa posição é favorável. Se
ela for contra o Código Florestal, nossa posição é contrária", afirmou
Marina, em um de seus discursos. "É um partido para questionar a si
próprio. Não pode ser um partido para eleição", completou. "(O partido)
não precisa ter postura de manada."
Dizendo que são "diferentes", a ex-senadora e ex-ministra do governo
Lula Marina defendeu alianças partidárias. "Podemos fazer alianças
pontuais. Não precisamos eliminar sonhos. Mas é preciso que fique claro
que somos diferentes." Lembrou ainda que a nova legenda não tem "uma
liderança única e, sim, multicêntricas."
Para poder se candidatar à Presidência pela nova legenda em outubro
de 2014, Marina e os fundadores da sigla precisam conseguir 500 mil
assinaturas até setembro deste ano. "Vamos dedicar os próximos três
meses para a coleta de assinaturas. Não será difícil", previu Walter
Feldman. Além dele, os deputados Alfredo Sirkis (PV-RJ), que não
compareceu ao evento, e Domingos Dutra (PT-MA)e a ex-senadora e
vereadora por Maceió Heloisa Helena anunciaram o ingresso no novo
partido. "Serei uma soldada da Marina", disse a ex-senadora, em discurso
que lançou a candidatura de Marina ao Planalto, em 2014.
O estatuto do novo partido deveria ser aprovado até o final do dia de
ontem. O documento prevê uma reavaliação do papel do partido em relação
a sua continuidade daqui a 10 anos. Ou seja, a sigla poderá ser
extinta. Também deverá ficar definido que os detentores de mandato terão
direito a disputar apenas uma reeleição em cada casa parlamentar.
Com informações de Eugênia Lopes e Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo
domingo, 29 de julho de 2012
MARINA SILVA diz que governo brasileiro tentou 'apequenar' sua participação na cerimônia olímpica
Ex-ministra ofuscou a participação de Dilma e chorou ao saber da reação da presidente
A convite do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Londres (Locog),
Marina entrou carregando a bandeira olímpica na festa de abertura do
evento, ao lado de nomes como Haile Gebrselassie, Ban Ki Moon, Shami
Chakrabarti e Muhammad Ali. Ela é reconhecida internacionalmente por sua
luta em defesa do meio ambiente. A situação gerou constrangimento,
porque Marina é adversária política de Dilma, cuja presença como
presidente do país que será a próxima sede dos Jogos Olímpicos foi
ofuscada pela ex-ministra.
"Não acho que a gente deve apequenar isso em uma disputa política. Aqui é
o interesse maior do Brasil. Isso me entristece", disse Marina, no
Hotel Corinthia, onde está hospedada a convite do Locog, na capital
londrina. A ex-ministra disse que esperava apoio da comitiva brasileira
e, principalmente, da presidente Dilma para a sua participação. "Meu
apelo é para a presidente Dilma: que a causa que eu represento, e ali
não era eu como figura política, não seja uma afronta para o Brasil, que
seja uma dádiva. Porque eu tenho tanto respeito pelo Brasil pela nossa
história e a presidente Dilma sabe como, na minha divergência, eu sou
leal. As pessoas com quem eu convivi durante 30 anos não são meus
inimigos. Do mesmo jeito que eu fico feliz de ver as autoridades
brasileiras cumprindo seu papel num evento dessa magnitude, eu imaginava
que, nesse momento, eles não misturariam as coisas. Eu estou aqui em
nome de uma causa que na história do Brasil é de todos nós. Começou lá
atrás com o Chico Mendes e o presidente Lula, como companheiro do Chico
Mendes, tem participação nisso."
O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, ironizou a participação da
ex-ministra no evento dizendo que o motivo foi o fato de que "Marina
sempre teve boa relação com as casas reais da Europa e com a
aristocracia europeia". Os dois são inimigos políticos desde que bateram
de frente nas discussões sobre o Código Florestal. Marina, no entanto,
preferiu "relevar" as declarações do ministro. E disse que gostaria que
Rebelo "entrasse no espírito olímpico sugerido por aquela cerimônia".
"Não quero apequenar esse momento com qualquer tipo de desconstrução da
grandiosidade de saber que o Brasil é uma referência na luta ambiental
pelo mundo. Desconsiderar isso é o mesmo que desconsiderar toda a
contribuição dada pelo PT na construção da democracia brasileira",
reagiu."Eu estava ali pela causa que defendemos do desenvolvimento
sustentável, quando digo defendemos, falo de todos aqueles que acreditam
que o mundo precisa mudar. Não sou oposição ao governo da presidente
Dilma, eu apenas tenho uma posição. Mas há quem não entenda assim."
Segundo Marina, o convite do Locog para participar da cerimônia de
abertura dos Jogos Olímpicos de Londres também a surpreendeu. Os
organizadores a sondaram no domingo para saber se concordaria com o uso
de sua imagem no evento e apenas na terça-feira confirmaram como seria a
sua participação. Marina desembarcou em Londres na quinta-feira. Sobre
manter segredo, disse que foi instruída pelo Locog. "Eu fiz como eles me
disseram. Falei apenas com meus filhos e marido e pedindo a eles
segredo. Não tinha como revelar isso ao governo, a ninguém. Foi um
pedido", disse. "Vim para cá com o espírito olímpico de lutar pelo
Brasil, pela paz, pelo desenvolvimento sustentável e eu posso te dizer
que quando passei ali diante das autoridades, eu senti uma boa dose de
orgulho de saber que nesses 500 anos de história do Brasil nós tínhamos
eleito a primeira mulher presidente da República. Era esse espírito que
estava ali presente." Marina disse que as críticas do governo não
importam. "O mais importante é que estou fazendo meu trabalho. E isso
ficará como legado para o Brasil."
Barriguda News
O Estadão
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