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domingo, 23 de setembro de 2012

LAMPIÃO, o filme

A figura do Lampião e a forma com que a sétima arte o retratou tem tantas particularidades que ainda hoje o personagem mais conhecido do cangaço brasileiro nas primeiras décadas do século passado ainda intriga e fascina. Essa controvérsia em torno da imagem de que ele teria sido vítima, herói ou bandido cruel ainda é questão constantemente discutida, sobretudo para os que buscam conhecer melhor a sua história.
Lampião será mais uma vez tratado pelo cinema brasileiro no longa metragem “Lampião, o filme”, e Mossoró será uma das cidades visitadas no período de filmagens, que começam em fevereiro de 2013 após o Carnaval.
O filme pretende abordar o Lampião dentro de uma visão que ainda não foi trabalhada no cinema. “Percebemos que temos ainda uma visão vaga da história do Lampião e com esse filme pretendemos o que ainda não foi mostrado no cinema. Estamos com um amplo material de pesquisa, mas recorremos, sobretudo a familiares do Lampião que residem aqui em São Paulo. A roteirista Nina Ximenes já está há algum tempo nesse trabalho”, ressalta o diretor.

Bruno Azevedo, que possui a sua produtora, explica que a equipe deve vir ao Nordeste para a fase de pesquisas de locações de outubro a novembro, passando pelos estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco, Bahia, Sergipe e Rio Grande do Norte. No RN, a cidade de Mossoró é passagem certa, conforme o diretor: “Queremos começar o filme com a expulsão de Lampião pelos mossoroenses e a cidade se diferencia com esta história”, ressalta ele.

Sobre o elenco envolvido, o diretor ainda não quer divulgar, mas afirma que alguns atores globais estarão no projeto, como Rose Campos, o Paulo Goulart e possivelmente Antônio Fagundes.
“O material de divulgação do filme está sendo alterado pela nossa assessoria de imprensa e em breve encaminharemos a mídia com todas as informações confirmadas como elenco, locações e detalhes da produção”, ressalta Bruno Azevedo, que já dirigiu entre outros filmes, Bezerra de Menezes.
As informações sobre a realização do filme sobre Lampião chegam até a reportagem de DOMINGO através do ator mossoroense João Batista Gomes de Oliveira, ou JB Oliveira, que há sete anos reside em São Paulo.

JB saiu de Mossoró para buscar oportunidades como ator na grande metrópole. Felizmente seu esforço começa a ser reconhecido. Já participou de espetáculos de teatro, de episódios em novelas e seriados na Record – Ribeirão do Tempo e Tribunal na TV. Quando soube do filme, fez testes e ganhou um papel interes-sante, a do cangaceiro elétrico, mas que está entre os selecionados para compor o elenco do filme.
Barriguda News
Via Jornal de Fato

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Xingu – o cinema nacional se reinventa


Xingu, mais recente filme do diretor paulistano Cao Hamburguer (de “Castelo Rá-Tim-Bum” e “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”), exige do espectador mais cético uma certa dose de paciência. A princípio, a história apela para a aura de heroísmo que historicamente foi atribuída aos irmãos Villas-Bôas – dois dos quais, Cláudio e Orlando, foram indicados ao prêmio Nobel da Paz pelo trabalho que resultou na criação do Parque Nacional do Xingu e na implantação de uma política indigenista totalmente nova lá por meados do século passado. Pois o filme começa com uma cena um tanto inverossímil em que os irmãos Cláudio e Leonardo se disfarçam de “peões” analfabetos para conseguir suas vagas na expedição Roncador-Xingu.

Com a evolução do trabalho deles na expedição, contudo, o filme engata. O deslumbramento causado pelas locações – não há uma cena sequer do sertanistas na expedição feita em estúdio – contribui para situar o espectador naquilo que talvez tenha sido a mais corajosa e ousada marcha para o interior do Brasil depois das excursões dos bandeirantes. Para se ter uma ideia, Cao Hamburger começou seu trabalho de pesquisa de locações, entrevistas e preparaçao de atores (grande parte deles, índios) três anos antes do início das filmagens.

Do ponto de vista narrativo, além do perigo de cair em desgraça ao retratar personagens tidos como pioneiros pela etnografia, o diretor ainda tinha outra dificuldade: abordar uma expedição que se estendeu por 40 anos (em um filme de duas horas), exigiu que fossem cortadas passagens importantes dos relatadas pelos Villas-Bôas no livro Marcha para o Oeste, em que o filme se baseou.

O diretor, no entanto, superou as dificuldades com uma abordagem pouco utilizada no recente cinema nacional: o desnudamento de personagens midiaticamente endeusados resultou na exposição de pessoas comuns, cheias de falhas e até ingênuas, apesar de corajosas. No filme há, implícito, o reconhecimento das consequências desastrosas das falhas. Mas há, também, a constatação de que sem o espírito de eventura e deslumbramento dos irmãos – que redundaram naquela maldita aura de heroísmo – pouco teria sobrado de um sem-número de nações indígenas aé hoje preservadas pela alma sensível e capacidade de agir dos Villas-Bôas.

Preciso dizer, por outro lado, que há defeitos no filme característicos do cinema nacional. O som direto que disputa com a trilha musical é um deles. Mas se é possível traçar um paralelo entre “Xingu” e outra obra recente da cinematografia brasileira, a primazia cabe, ironicamente, ao filme anterior de Hamburger, “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”. Como neste último, o filme sobre os irmãos Villas-Bôas soube retratar, por vias pouco ortodoxas, um tempo que muitos outros já o fizeram utilizando maneirismos; e colocou seus protagonistas não para dialogarem, mas para conduzirem o espectador pela realidade que enfrentaram.

Fonte:Tribuna do Norte.
Tatiana Lima-Papo Cine

domingo, 25 de março de 2012

Raul Seixas no Cimena - O INÍCIO, O FIM E O MEIO

Sob a influência do rock dos anos 50 e da música nordestina, principalmente Luiz Gonzaga, despontou no cenário nacional aquele que até hoje é considerado um mito dentro da música brasileira: Raul Seixas. Se propondo a fazer um apanhado da vida pessoal e profissional do cantor, o documentário Raul: O Início, o Fim e o Meio retrata com competência a trajetória do artista desde a época em que era um jovem roqueiro na Bahia até sua morte, em 1989, em São Paulo, vítima do álcool e outros excessos.

Consciencioso, o diretor Walter Carvalho (Cazuza - O Tempo Não Para) não teve a pretensão de desvendar ou explicar o mito – afinal, se for explicado deixa de ser mito, como mesmo disse o cineasta em entrevista a este crítico. Inteligentemente, apostou em fazer um documento audiovisual que ajuda a entender quem foi o homem e o artista Raul Seixas por meio de depoimentos daqueles que conviveram mais intimamente com o maluco beleza da música popular brasileira.

Raul - O Início, O Fim e o Meio é cronológico e parte da infância do cantor na Bahia terminando com sua morte em São Paulo. Na produção de montagem impecável – que levou 18 meses para ser concluída e transformou mais de 200 horas de material bruto em 2 horas de um filme afiado – vemos o Raul menino influenciado por Elvis Presley, o primeiro grupo (Raulzito e seus Panteras), o disco da virada na carreira (o álbum que tem o clássico Sociedade Alternativa), os muitos relacionamentos amorosos do cantor e uma série de depoimentos emocionados e pungentes que leva o espectador a compor um retrato humanizado de Rauzito.

As entrevistas reunidas são todas marcantes, algumas memoráveis. Depoimentos de Paulo Coelho (grande parceiro de composição que abriu a Raul as portas para as drogas e misticismo), Caetano Veloso (reconhecendo a genialidade da música Ouro de Tolo), Nelson Motta, Pedro Bial, Marcelo Nova, Tom Zé e de suas ex-companheiras (Seixas era um conquistador inveterado), entre outros, ajudam a compor o perfil do artista que até hoje possui uma legião de fãs que o idolatra (eles também estão no filme entoando as canções do ídolo).

O documentário de Carvalho não é condescendente. Da mesma forma que retrata a genialidade do cantor, esmiúça suas irresponsabilidades, advindas em sua maioria de seus problemas com as drogas, principalmente o álcool. Igualmente complicada era a relação do músico com as mulheres. As ex-esposas e namoradas deixam claro que era inviável o convívio com o cantor, mas tampouco escondem a paixão que, ainda hoje, nutrem por ele.

Se há algo dispensável no filme é a participação de Caetano Veloso, que era detestado por Raul. Caetano, por sinal, virou uma espécie de Inmetro da música brasileira. Quando se quer chancelar a qualidade a um artista e dar respeitabilidade a seu trabalho, é só convocar o baiano. A obra de Raul dispensa o aval de seu conterrâneo, assim como o próprio maluco beleza provavelmente dispensaria sua participação no filme se vivo fosse.


Fonte: Portal MSN
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