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segunda-feira, 9 de junho de 2014

A ARTE DE ENGANAR OS POBRES


      destaque ferreira
Aqueles que pensam que no Brasil não existem intelectuais estão redondamente enganados. O Brasil tem quadros extraordinários. Homens e mulheres observadores, críticos, pensadores e formuladores de novos caminhos e novas propostas para a sociedade brasileira. O único reparo é que quase a totalidade destes brasileiros, hoje, se encontra distante  das instâncias de poder. Também, pudera, não é para se estranhar. Vejam se o melhor do nosso povo iria se misturar com essa escumalha de cafajestes que dirige o Brasil.

Uma das “grandes contribuições” do nosso Guia Genial dos Povos, nas suas verborragias de palanque, é  dedicar-se a estigmatizar o que ele entende como “as elites”. Oriundo, já bem distante, da classe operária, Lula pretende criar um preconceito, um conflito entre segmentos do tecido social.

Agora uma digressão: acusar o ex-presidente de desonestidade intelectual é uma contradição em termos. Mas, como sempre  digo, não se pode chamar o Lula de burro, categoria de quadrúpede que ele não faz parte de jeito nenhum. Ele é só um ignorante, o que, aliás, já é condição mais que suficiente para fazer os estragos que faz.

Mas voltando à vaca fria das elites. Desde que o mundo é mundo, todo conjunto de seres humanos tem suas elites que nada mais são do que aquele grupo de indivíduos tem de melhor em cada segmento. Assim como existem elites intelectuais, existem elites empresariais, esportivas, artísticas, sindicais e, principalmente, o escambau. As elites são o que de melhor que uma sociedade consegue produzir ao longo do tempo. É o que fica e se traduz na História da Civilização. É por causa de suas elites que conhecemos o que foram os egípcios, os astecas, os gregos, os romanos e assim por diante.

Fazer parte da elite de um povo não é tarefa fácil. É claro, sempre se tem o bônus da admiração de seus contemporâneos, mas também existe o ônus que é a responsabilidade da elite de apontar os caminhos e os valores de uma nação.

Segue aqui um pequeno exemplo do que produz a nossa elite intelectual. Leiam com atenção este artigo do brilhante Ferreira Gullar, pensador brasileiro comprometido apenas com seus princípios. E, como se escrevia no Planeta Diário, é um gato.

E temos dito.
Modestamente…Marcelo Madureira

domingo, 25 de maio de 2014

CULTURA: A POESIA DE FERREIRA GULLAR

TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

terça-feira, 11 de setembro de 2012

A POESIA DE FERREIRA GULLAR

TRADUZIR-SE
 
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
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