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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

DILMA E VEJA: "Factóide na Petrobras é perigoso"

Numa rápida entrevista a jornalistas neste domingo, a presidente Dilma Rousseff condenou a criação de crises artificiais sobre a Petrobras, como fez a revista Veja, há uma semana, com a capa sobre "farsa" na CPI da Petrobras;  “Se tem uma coisa que a gente tem de preservar, porque tem sentido de Estado e sentido de nação é não misturar eleição com a maior empresa de petróleo do País. Isso não é correto, não mostra nenhuma maturidade”, disse ela; denúncia da semana passada já morre no vazio de sua própria banalidade

247 - A presidente Dilma Rousseff, candidata pelo PT à reeleição, disse, neste domingo (10), durante coletiva de imprensa, que as discussões eleitorais não devem ser misturadas com assuntos da Petrobras, por questão de "maturidade". Ao ser indagada se a companhia está sob fogo político cruzado, a presidente declarou que o uso de "factoide" que possa comprometer a empresa é algo "muito perigoso".

"Se tem uma coisa que a gente tem de preservar, porque tem sentido de Estado e sentido de nação é não misturar eleição com a maior empresa de petróleo do País. Isso não é correto, não mostra nenhuma maturidade", disse Dilma, no Palácio da Alvorada.

"Eu acho fundamental que na eleição, nesse processo em que estamos, haja a maior e mais livre discussão. Agora, utilizar qualquer factoide político para comprometer uma grande empresa e sua direção é muito perigoso", acrescentou, referindo-se a denúncias contra a empresa, que vem sendo investigada inclusive pelo Congresso Nacional por meio de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Dilma se negou a responder questões sobre o julgamento da presidente da Petrobras, Graça Foster, no Tribunal de Contas da União (TCU). A presidente também não quis fazer declarações sobre a necessidade de elevação do preço do combustível diante de uma queda de 25% no lucro da Petrobras do primeiro semestre do ano. "Não especulo nem alimento especulação no mercado", afirmou.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

BRASIL 247


247 - Até aqui, a imprensa familiar brasileira vinha sofrendo a maior goleada da história das Copas. Depois de apostar no fiasco da Copa do Mundo de 2014 e usar seus colunistas para disseminar o pânico de um vexame internacional, o pequeno oligopólio da mídia no Brasil tentou marcar nesta sexta-feira, dia em que o Brasil decide contra a Colômbia uma vaga nas semifinais, um golzinho de honra. Nem que para isso tenha sido necessário explorar uma tragédia, ocorrida ontem em Belo Horizonte, onde um viaduto desabou e matou duas pessoas.

O lamentável acidente, decorrente de uma provável falha de engenharia da empreiteira Cowan, ganhou uma embalagem peculiar nos jornais brasileiros, com sabor de vingança. Na Folha, o fato se transformou na manchete "Obra inacabada da Copa desaba e mata 1 em BH". No Globo, "Viaduto de obra da Copa desaba e mata 2 em BH". No Estado, "Viaduto planejado para Copa cai e mata 2". Ou seja: depois da constatação de que os aeroportos funcionaram a contento e de que os estádios (que para determinado grupo de mídia ficariam prontos apenas em 2038) encantaram o mundo, caiu um viaduto. Era o que bastava para a execução da revanche.

Nos três três jornais, a ênfase foi dada ao fato de se tratar de uma obra do PAC, o Plano de Aceleração do Crescimento, que, embora federal, depende da execução de estados e municípios. No caso concreto, embora a obra tenha recebido financiamento de R$ 171,7 milhões do governo federal, a responsabilidade pela execução era da prefeitura de Belo Horizonte, governada por Marcio Lacerda, do PSB e aliado do PSDB na política mineira.

Na Folha, que foi o jornal que produziu a manchete mais milimétrica contra a Copa após o incidente, houve ainda espaço para um editorial, chamado "Humor de Copa", sobre o impacto do sucesso do Mundial na mais recente pesquisa Datafolha, onde a presidente Dilma foi de 34% a 38% das intenções de voto. Num dos trechos, comentou-se o incidente de ontem em Belo Horizonte.  "Verdade que, até quarta-feira, registravam-se somente incidentes operacionais de menor impacto; o mais grave deles havia sido a invasão de chilenos no Maracanã, fruto de uma falha de segurança. Nada comparável à queda de um viaduto em Belo Horizonte. O acidente, ocorrido ontem, resultou na morte de ao menos uma pessoa e deixou 22 feridos. A obra faz parte do pacote de melhorias de mobilidade urbana e não ficou pronta no prazo prometido. Não foi, felizmente, tragédia de maiores proporções. Serve para lembrar, ainda assim, o quanto houve de irresponsabilidade e improviso, para nada dizer de corrupção, na organização do Mundial. O primeiro jogo da Arena das Dunas, em Natal, deu-se sem a liberação dos bombeiros, por exemplo."

Com a queda do viaduto, a mídia familiar fez um golzinho e diminuiu a goleada que vem sofrendo. Há tempo para a virada?

sábado, 12 de abril de 2014

BRASIL: "CADÊ OS DIREITOS HUMANOS?"

A frase acima é gasta?; caos em reintegração de posse, no Rio de Janeiro, de prédio da telefônica Oi invadido por uma favela, acentua paradoxo entre a Polícia Militar e o povo; corporação se defende, mas é inegável que, no cumprimento de ordem judicial, faltou planejamento, organização e, sobretudo, diálogo com cidadãos.

Barriguda News
Brasil 247-RJ

 Aconteceu mais uma vez – e com intensa dramaticidade. Com mais de 25 feridos, carros das emissoras Globo, SBT e Record depredados, ônibus incendiados e dezenas de desabrigados, uma operação de reintegração de posse no Rio de Janeiro terminou com cenas de guerra urbana. Para retirar uma favela montada dentro do prédio do almoxarifado da telefônica Oi, no bairro do Engenho Novo, a Polícia Militar simplesmente perdeu o controle da situação.

Depois de conduzir os primeiros moradores para fora de seus barracos, nas primeiras horas da manhã, os homens da corporação destacados para a operação passaram a responder com extrema violência a provocações e protestos. Gás de pimenta, bombas, tiros e cassetadas foram distribuídas fartamente sobre o público, sem que um plano organizado de retirada deles para outro local estivesse em curso.

A mistura entre moradores surpreendidos e os agentes provocadores levou muitos despejados a atearem fogo em uma viatura da PM, um ônibus e depredarem carros de reportagem e instalações técnicas das emissoras Globo, SBT e Record. Um repórter do jornal O Globo foi preso.

- Demos orientações, não tivemos turbulências. Não temos essas informações, negou, à Globo News, o porta-voz da PM, tenente-coronel Cláudio Costa.

Mas as imagens que, de resto, correram todo o mundo imediatamente, não mentem. A PM, simplesmente, perdeu o controle a execução da ordem de reintegração e partiu para revidar protestos legítimos com extrema violência. "Cadê os direitos humanos?", perguntou um dos retirados, que alegava existirem crianças mortas. Esse rumor não foi confirmado por nenhuma fonte oficial, entre a PM e hospitais da região, para onde os feridos foram levados.

O episódio do Rio de Janeiro não pode ser visto como isolado. Ele acentua o feitio de vários barris de pólvora em que se transformaram as grandes cidades brasileiros, especialmente o Rio e São Paulo, as duas maiores. A continuar dispensando esse tratamento à população, que evita o diálogo organizado com as comunidades para agir contra elas como se estivessem em uma guerra, os chefes e soldados da PM contribuem decisivamente para a explosão de novos e perigosíssimos conflitos sociais. A fórmula do caos está dada e todos já a conhecem.
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