Depois de toda celeuma em torno do final da NOVELA AVENIDA BRASIL,o que se viu ficou muito aquém da expectativa. Se durante toda a sua exibição a novela foi sempre instigante o final foi decepcionante, pelo menos achei. Quem matou Max??? Esse foi o bordão usado para alavancar a audiência da trama. O Brasil parou, o IBOPE ficou lá em cima. O melhor ficou por conta do CHUPETINHA!!!!
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sábado, 20 de outubro de 2012
quarta-feira, 11 de julho de 2012
AVENIDA BRASIL: Carminha será escrava de Nina
Tufão (Murilo Benício) não leu “O Primo Basílio” por acaso. O livro é uma pista dada por João Emanuel Carneiro sobre os rumos de “Avenida Brasil”. Nos próximos capítulos da eletrizante novela das 21h, Rita-Nina (Débora Falabella) chantageará Carminha (Adriana Esteves), que obedecerá às ordens da empregada sem pestanejar. Quem conta com exclusividade ao blog é o autor.
Primeiro, Carminha descobrirá a verdadeira identidade de Nina e, segundo João Emanuel, “dará um susto nela”. Esta será a virada inicial. Em seguida, a história sofrerá a outra sensacional reviravolta: ao saber que a ex-enteada tem fotos suas na cama com Max (Marcello Novaes), Carminha passará a fazer tudo o que Nina ordenar.
- A mando de Nina, a vilã tratará bem a filha, Ágatha (Ana Karolina), será uma boa esposa para Tufão e dará dinheiro aos pobres. É uma inversão total de poder e um grande momento da novela. Me diverti muito escrevendo - conta João Emanuel.
Mas, o reinado de Nina não vai durar para sempre. Carminha retomará o controle 20 capítulos adiante. Tudo será bem rápido: a vilã descobrirá a identidade de Nina num sábado e, no capítulo de terça-feira, acontecerá a primeira guinada.
- A novela vai ficar diferente - avisa o autor.
Na história de Eça de Queiroz, a patroa adúltera, Luísa, é chantageada pela criada, Juliana. Nos bastidores de “Avenida Brasil”, o elenco, curioso, vem, desde o início desta semana, buscando pistas sobre a trama no livro.
Primeiro, Carminha descobrirá a verdadeira identidade de Nina e, segundo João Emanuel, “dará um susto nela”. Esta será a virada inicial. Em seguida, a história sofrerá a outra sensacional reviravolta: ao saber que a ex-enteada tem fotos suas na cama com Max (Marcello Novaes), Carminha passará a fazer tudo o que Nina ordenar.
- A mando de Nina, a vilã tratará bem a filha, Ágatha (Ana Karolina), será uma boa esposa para Tufão e dará dinheiro aos pobres. É uma inversão total de poder e um grande momento da novela. Me diverti muito escrevendo - conta João Emanuel.
Mas, o reinado de Nina não vai durar para sempre. Carminha retomará o controle 20 capítulos adiante. Tudo será bem rápido: a vilã descobrirá a identidade de Nina num sábado e, no capítulo de terça-feira, acontecerá a primeira guinada.
- A novela vai ficar diferente - avisa o autor.
Na história de Eça de Queiroz, a patroa adúltera, Luísa, é chantageada pela criada, Juliana. Nos bastidores de “Avenida Brasil”, o elenco, curioso, vem, desde o início desta semana, buscando pistas sobre a trama no livro.
Da Agência O Globo
terça-feira, 5 de junho de 2012
Avenida Brasil e a ambiguidade humana
É coisa rara eu recomendar novela. A última vez que lembro de ter tratado do tema de forma empolgada foi na época em que Wagner Moura encarnava um executivo conflituosamente apaixonando-se por uma prostituta, interpretada pela Camila Pitanga.
Se volto ao assunto é porque tenho visto novamente grandes talentos sendo usados em favor de personagens bem construídos. Já tinha falado de Avenida Brasil, mas gostaria de aprofundar dois aspectos da entrevista que dei para o Caderno 2 que fazem dela uma novela diferente.
Embora traga tramas paralelas que seguem a fórmula padrão, de conflitos que se arrastam ao longo da história toda, o núcleo da narrativa é muito mais ágil do que as novelas padrão, e os personagens mais complexos.
A vilã é carola, e embora seja de péssimo caráter ama o filho com afeto genuíno. A mocinha é bondosa mas de uma frieza ímpar quando o que está em jogo é sua vingança, motivo pelo qual ela está disposta até mesmo a abrir mão do amor.
Além da velocidade de resolução dos conflitos, que não passam duas semanas sem ser resolvidos, a construção dos personagens e das histórias também é mais sofisticada.
Não sou teórico das letras, mas arrisco uma comparação literária: as novelas brasileiras estão para os seriados americanos atuais como o romantismo estava para o realismo. Enquanto o primeiro trazia personagens idealizados e histórias menos complexas, o último abandonou tais convenções, substituindo os heróis por pessoas comuns, cujas contradições criavam cenários mais complicados.
Torço para que a dramaturgia brasileira siga nesse caminho de sofisticação. Não porque devemos imitar os americanos. Mas porque personagens nem totalmente bonzinhos nem cem por cento malévolos refletem a ambiguidade que existe em todos nós, e por isso conseguem gerar mais identificação.
A empatia, afinal, pressupõe certa capacidade de identificação: o campo de estudo da “teoria da mente” afirma que a cognição e a interação social adequadas só são possíveis quando conseguimos atribuir estados mentais aos outros, imaginando o que eles estão pensando ou sentindo.
E é mais fácil se identificar com desejos ruins que um personagem bom com raiva possa ter do que com heróis totalmente abnegados. E mesmo uma vilã que consegue amar é mais próxima das pessoas comuns do que alguém absolutamente incapaz de afetos.
Afinal de contas, nós mesmos estamos bem longe de ser personagens ideais.
Daniel Martins de Barros - Psiquiatria e Sociedade
O Estadão
Se volto ao assunto é porque tenho visto novamente grandes talentos sendo usados em favor de personagens bem construídos. Já tinha falado de Avenida Brasil, mas gostaria de aprofundar dois aspectos da entrevista que dei para o Caderno 2 que fazem dela uma novela diferente.
Embora traga tramas paralelas que seguem a fórmula padrão, de conflitos que se arrastam ao longo da história toda, o núcleo da narrativa é muito mais ágil do que as novelas padrão, e os personagens mais complexos.
A vilã é carola, e embora seja de péssimo caráter ama o filho com afeto genuíno. A mocinha é bondosa mas de uma frieza ímpar quando o que está em jogo é sua vingança, motivo pelo qual ela está disposta até mesmo a abrir mão do amor.
Além da velocidade de resolução dos conflitos, que não passam duas semanas sem ser resolvidos, a construção dos personagens e das histórias também é mais sofisticada.
Não sou teórico das letras, mas arrisco uma comparação literária: as novelas brasileiras estão para os seriados americanos atuais como o romantismo estava para o realismo. Enquanto o primeiro trazia personagens idealizados e histórias menos complexas, o último abandonou tais convenções, substituindo os heróis por pessoas comuns, cujas contradições criavam cenários mais complicados.
Torço para que a dramaturgia brasileira siga nesse caminho de sofisticação. Não porque devemos imitar os americanos. Mas porque personagens nem totalmente bonzinhos nem cem por cento malévolos refletem a ambiguidade que existe em todos nós, e por isso conseguem gerar mais identificação.
A empatia, afinal, pressupõe certa capacidade de identificação: o campo de estudo da “teoria da mente” afirma que a cognição e a interação social adequadas só são possíveis quando conseguimos atribuir estados mentais aos outros, imaginando o que eles estão pensando ou sentindo.
E é mais fácil se identificar com desejos ruins que um personagem bom com raiva possa ter do que com heróis totalmente abnegados. E mesmo uma vilã que consegue amar é mais próxima das pessoas comuns do que alguém absolutamente incapaz de afetos.
Afinal de contas, nós mesmos estamos bem longe de ser personagens ideais.
Daniel Martins de Barros - Psiquiatria e Sociedade
O Estadão
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