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sábado, 30 de maio de 2020

ESPECIALISTAS QUESTIONAM ESTUDO QUE INVALIDOU USO DE CLOROQUINA (Pesquisadores afirmam que não há como revisar os dados utilizados)

AGÊNCIA BRASIL
Após afirmar em artigo médico-científico que o uso da hidroxicloroquina não é eficaz e pode causar riscos cardíacos para pacientes, a revista médica The Lancet - uma das mais antigas publicações da área, em circulação desde 1823 - foi questionada publicamente pela metodologia e pelo viés nos resultados da pesquisa.
Em carta aberta ao público, 120 cientistas médicos, pesquisadores e estatísticos de várias partes do mundo, em especial Itália, França, Espanha e Estados Unidos, de várias instituições médicas de renome, como a Harvard Medical School, o Imperial College London, Universidade Médica da Pensilvânia, Universidade Duke, entre outras, afirmaram que não há como revisar os dados utilizados, já que os nomes dos pacientes e os hospitais onde foram registrados os números não estão disponíveis para consulta. Os especialistas apontaram, ainda, uma falta de “revisão ética” na publicação.“É por interesse na transparência [das informações] que solicitamos que a publicação The Lancet torne aberta a pesquisa aos comentários dos pares que fizeram a revisão desse estudo”, afirma o documento.
Em uma rede social, o professor de infectologia da Universidade australiana de Monash Allen Cheng - que assina a carta aberta à revista - afirma que, apesar de haver óbitos de cidadãos australianos medicados com cloroquina no estudo, os números não batem com a realidade documentada pelo país, o que levanta suspeita sobre a base de dados utilizada para validar o levantamento.
Críticas ao Estudo
Entre os argumentos citados na carta, a forma como os dados foram obtidos foi a maior razão de críticas dos autores. O instituto responsável pela filtragem das informações dos pacientes clínicos é a empresa Surgisphere - uma companhia de mineração de dados médicos que não revela as fontes de onde as informações são colhidas. Os autores, que endereçaram o documento ao editor-chefe da revista, o médico britânico Richard Horton, pediram ainda que a Organização Mundial da Saúde (OMS) valide de forma independente os estudos sobre a cloroquina, a hidroxicloroquina e os protocolos antirretrovirais ainda em estudo em diversas partes do mundo.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

APÓS NOVO PROTOCOLO DO GOVERNO, HIDROXICLOROQUINA PODERÁ FICAR EM FALTA

Na quarta-feira (20/05), o Ministério da Saúde (MS) divulgou um novo protocolo indicando o uso da cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com sintomas leves do novo coronavírus (Covid-19). Contudo, médicos alertam que após essa recomendação com novas diretrizes, realizada pelo órgão federal, poderá ficar difícil encontrar o medicamento para tratar pacientes com outras doenças.
Em entrevista ao jornal Estadão, uma médica, que não revelou sua identidade, contou que tem tido dificuldades em tratar seus pacientes com lúpus, devido à falta da substância: “Já estava difícil encontrar cloroquina, imagina agora”, afirmou.
A Apsen detém 95% do mercado nacional de hidroxicloroquina, o medicamento tem sido usado por alguns médicos no tratamento da Covid-19. De acordo com o jornal, a indústria farmacêutica está com seus estoques esgotados da substância.
A hidroxicloroquina é um fármaco usado na prevenção e terapia de malária sensível à cloroquina. A substância também pode ser utilizada para tratar artrite reumatoide, lúpus, entre outras enfermidades descritas na bula. Contudo, pouco tempo após o começo da pandemia, alguns estudos preliminares indicaram a possibilidade de o produto ser eficaz contra o novo coronavírus. No entanto, essa possibilidade ainda está em fase de testes.
Segundo o farmacêutico e professor em farmacologia do ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Thiago Melo, os estudos recentes sobre a hidroxicloroquina não apresentam evidências científicas em relação à eficácia da substância na terapia da Covid-19. “Não há nenhum amparo, por publicações [científicas], nas últimas semanas, sobre a ação da hidroxicloroquina e seus derivados contra a Covid-19. Até agora, o que temos de dados é que em fase avançada o medicamento não reduz carga viral, já em relação à profilaxia também não há nenhuma comprovação na literatura”, explica.
Alta procura
A diretora de Assuntos Corporativos da Apsen Farmacêutica, Renata Spallicci, revelou que em 30 dias os pedidos de hidroxicloroquina baterem o volume de vendas de todo o ano de 2019. A informação foi divulgada pela revista Quem.
De acordo com Renata, houve um aumento na produção do fármaco, justamente, para tentar evitar que pacientes que sofram com doenças crônicas e precisam da substância fiquem sem o tratamento. Ela revelou ainda que procura foi tanta, que chegou a receber pedidos de pessoas que estavam precisando do medicamento: “Recebemos mensagens de pacientes crônicos muito sensibilizados”, disse ela, na entrevista à revista.
Segundo ela, até a própria Aspen se surpreendeu com essa alta demanda: “Acompanhávamos esses estudos antes da divulgação (da possibilidade de uso da hidroxicloriquina) e fomos surpreendidos com a magnitude que isso tomou”, comentou Renata, que é engenharia química.
Contudo, conforme divulgado na quarta-feira (20/05) pelo Estadão, mesmo com essa força-tarefa, aumentando a capacidade de produção, o estoque da indústria está, atualmente, esgotado.
Outras produtoras
Apesar da Aspen deter 95% do mercado da substância, a EMS e a Sanofi também produzem o medicamento hidroxicloroquina. Além disso, desde o fim de março de 2020, que o presidente, Jair Bolsonaro, pediu para que o Laboratório Químico Farmacêutico do Exército aumentasse a produção da substância, para fornecimento ao Sistema Único de Saúde (SUS).
*Fonte:ICTQ
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