Enquanto analistas de alta e baixa plumagens tentam decifrar, entre
alarmados, esperançosos e assustados, os fenômenos de massa que varrem o
Brasil, há uma outra espécie de manifestação igualmente crescendo e se
alastrando pelas ruas da nação. Menos barulhenta, mas infinitamente mais
assustadora e doída do que a mais estridente e agressiva passeata. Em
vez de bandeiras, cobertores toscos cor de asfalto nas costas. No lugar
de máscaras de personagens de filmes estrangeiros, rostos que lembram
máscaras mortuárias. No lugar das placas, cachimbos, isqueiros, pedras e
fósforos em mãos queimadas, rasgadas e acostumadas a destruir os
próprios corpos em que estão coladas.
