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sábado, 22 de novembro de 2014

DEUS na poesia de Onildo Barbosa

Como poeta, analiso
Descrevo e transformo em verso
Que cada lugar que piso
É parte de um universo
Sinto na luz dos meus olhos,
A flacidez dos abrolhos
Céu distante, mar, profundo,
Da terra esfera suspensa
Deus marca sua presença
Em tudo que há no mundo

Conhecê-lo não eu não conheço
Visitá-lo eu nunca pude
Mas ele é o endereço
Que nos conduz à virtude
Deus, é poder invisível,
Abstrato, indescritível
Difícil de entender
Do catedrático ao anônimo
Em tudo está o sinônimo
Do seu imenso poder.

Deus está na nossa mente
Na forma que a gente pensa
Nas coisas que a gente sente
De acordo a nossa crença
Deus é a luz que aparece
Na hora que amanhece
Prá nos trazer alegria,
Embelezando a aurora,
Quando a noite vai embora
Dando vida ao novo dia.

Deus orienta o inculto
Com força e perseverança
Dá paciência ao adulto
Prá conduzir a criança
Deus está na flor cheirosa
Na planta leguminosa
Que alimenta a nação,
No vento, na noite cálida,
No rosto da lua pálida
Que embeleza o sertão.

Deus está mo movimento
Dos animais na floresta
Nas aves fazendo festa
No seu acasalamento-
Na fruta que cai do cacho
Na fêmea que trai o macho
Na pétala que trás o brilho
Está na anciã do quarto
Confortando a dor do parto
Do ventre que gera o filho.

Deus está na melodia
Do sabiá laranjeira
Na fonte de água fria
No grito da lavandeira.
No veneno da serpente
No germinar da semente
No mel que tem na resina,
Na ciência da fragrância,
Na raiz, na substância
No saber da medicina.

Deus está no mel da cana
Que produz a rapadura
Na casca da umburana
No vapor da terra dura
Na plumagem da arara
No fruto da ciçara,
Na flor do mandacaru
No espinhal do abismo
Na beleza e romantismo
Da voz do wirapuru.

Deus está por sua vez
No calor da sequidão,
Na lágrima do camponês
Que chora a falta de pão
Deus tá presente na dor
Na angústia no amor
No lamento dos plebeus
Deus está sempre de pé,
Prá dar um pouco de fé,
A quem não conhece Deus.

Deus se encontra no pistilo
Da flor do maracujá
No casco do crocodilo
Na pena do tangará
Deus é a água da chuva,
O mel da poupa da uva
Que serve de vitamina,
É o ouro derretido
Do vulcão adormecido
Que está no centro da mina.


Deus está na plenitude
Do sorriso da criança
No vigor da juventude
E na velhice que criança
Na obediência do filho
Tás na boneca de milho
Com seus cabelos compridos,
Tá riqueza da alma
Na paciência e na calma
Dos menos favorecidos.

Deus está na translação
Da terra em seu movimento
Na força do furacão,
Na tempestade, no vento,
Está nos bosques sombrios
Na confluência dos rios,
Na aridez do calcário,
Está no deserto enorme
No beduíno que dorme
NO passo do dromedário.

Deus está na construção
Do João de barro engenhoso
Na plumagem do pavão,
Elegante e vaidoso
Na relação conjugal,
No ato sexual
Quando a libido é pura,
Sem químicas nem alcalóides
Milhões de espermatozóides
Gerando uma criatura.

Deus está entre os rochedos
Nas estradas poeirentas
Nas nebulosas cinzentas
Nos alcantis e lajedos
Deus tá na fauna, na flora,
Na araponga que mora
No mais alto da montanha
Nos arbustos aromáticos
Nos pontos enigmáticos
Dos tecidos da aranha.

Deus é a única razão
Da nossa sobrevivência
O pulsar do coração,
A voz, a inteligência
Não sou nenhum pregador
Não sou padre, nem pastor
Não me entrego ao cansaço
Sem religião, nem crença
Sinto de deus a presença
Em cada coisa que faço.


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